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Quem fala, não escuta e quem não escuta, não aprende

Cada vez falo menos. Quem me conhece ao vivo e apenas socialmente, irá discordar, mas aqueles que me observam trabalhando sabem que é verdade.

 

Sempre soube disso, porém os módulos ministrados por professores portugueses no mestrado acentuaram esta verdade com clareza solar  e foram marcantes: “Quem fala, não escuta e quem não escuta, não aprende.”  Este mote chegou para um grupo  que concluía os créditos e voltava sua atenção para a dissertação que se avizinhava inadiável.

 

Havia uma inquietude na turma,  o que a tornava barulhenta e os mestres lusos insistiam neste ensinamento aliado a um outro igualmente forte, sob forma de pergunta: “Estou sendo claro?” E acrescentavam: “Pois esta é a função do professor.” Levei, além do precioso conteúdo das disciplinas, estes motes para a vida profissional. Usei muito em sala de aula, mas é no mundo empresarial que se profetiza qual  o profissional que morrerá pela boca. Literalmente.

 

Observei, na área pública e na iniciativa privada, a chegada de pessoas a novos cargos, vindas de fora ou guindadas na estrutura organizacional por promoção. O falador não se cria, pelo simples fato de que ele não escuta e, como não o faz, comete gafes cotidianas e erros grosseiros no processo decisório.

 

Na área de comunicação social costuma-se dizer que você só terá entendido a dinâmica cultural de uma localidade quando souber se o mendigo que manca tem mesmo uma limitação física ou é um bom ator. Outro exemplo clássico, no mesmo sentido, porém perfeito para o âmbito organizacional ou até meramente social: saber se aquela piscadela da pessoa sentada à sua frente em um jantar tem um quê de picardia ou é um tique nervoso. Isso vale para as novas funções. Entender estas sutilezas é a diferença entre sucesso e fracasso. Percebam que não disse pode ser, simplesmente é.

 

Na faculdade de administração tive um professor muito bem humorado que rotulava este tipo de pessoa, excessivamente falante, como o personagem da fábula do escritor francês Edmond Rostand: O galo Chanteclair, cujo nome sugere que ele canta e clareia. Trata-se  da estória de um galo que se achava tão importante a ponto de pensar que, se não cantasse a plenos pulmões, o sol não nasceria. Um “falador” que andava pelo terreiro apregoando orgulhosa e arrogantemente: “Eu determino o nascimento do sol com o meu canto”. Embora surgissem frequentes contestações, ele não as ouvia (exatamente como aquele que fala demais, até porque adora ouvir o som da própria voz). Segundo a fábula, e confirmo que isso se dá na vida real, a decepção do Chateclair (a demissão ou destituição do profissional falastrão) veio quando, um belo dia, ele acordou mais tarde e, desesperado, deparou com o sol brilhando, sem que ele o tivesse determinado. Exatamente o “não líder”, aquele que não faz nenhuma falta ou diferença. Talvez, no máximo, traga desarmonia ao sistema.

 

Assumir uma nova função implica em diagnosticar o ambiente, observar, analisar e, de posse das informações, ajustar conduta e decisões. Isto é feito em silêncio, pois é um aprendizado. Parodiando os mestres portugueses pergunto: Fui clara?

 

 

Rosangela Tremel

Advogada; Jornalista; Administradora de empresas; Criadora do projeto e Editora-Chefe da Revista Jurídica da Unisul “De fato e de direito”- versões impressa e eletrônica; professora de Direito Público em grau de Mestre para pós graduação; Especialista em Advocacia e Dogmática Jurídica, em Marketing e em Ciências Sociais;  publicou pelos selos editoriais técnicos Atlas, Ágora, Associação Acadêmica da Faculdade de Direito de Lisboa, colaboradora de periódicos especializados, palestrante convidada.  

 

 

 

 

 

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