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Primeiro dia no escritório da família: o que fazer?

Nada pior do que o primeiro dia em qualquer situação profissional. Mas o primeiro dia no escritório da família é para os fortes. Por isso sugiro medidas de sobrevivência básica que não retirei de nenhum livro de auto-ajuda, mas que me permitiram sobreviver: entre mudo, escute muito (mesmo quando pareça não estar atento) anote mentalmente, refugie-se nos arquivos.

Sobre permanecer calado: analise tão somente e deixe para emitir opinião quando tiver mais informações do que meros dados, lembrando que a informação é o dado trabalhado. Sempre que a argumentação estiver calcada em informação haverá mais possibilidade de credibilidade, o que é cientificamente comprovado e só traz prestígio a quem o faz. Lembremos que assumir o negocia da família implica em provar capacidade em dobro para que ninguém o acuse de ter se beneficiado de uma decisão da cegonha.

Escute muito e atentamente. Se o escritório for de grande porte, certamente haverá diferentes correntes, maneira elegante de dizer “panelinhas”, ou como aprendi no modelo norte-americano de análise da antropologia corporativa, as  “igrejinhas”. Antes de se filiar a uma, analise todas e tenha claro que talvez a sua escolhida não o aceite, por isso é fundamental um plano B. Aliás, em se tratando de advocacia, onde temos de aprender desde o início a ganhar e a perder, ao sim e ao não, este momento já serve como exercício.

Caso o escritório seja mais artesanal, vale a mesma sugestão, pois a clientela estará buscando aquele tipo de tratamento que pode não ser o exatamente o seu estilo. Ilustro com exemplo verídico: um cliente pra lá da meia idade, querendo que seu divórcio tivesse por base, em letras garrafais, o adultério (antes de 2005 quando o adultério integrava o Código Penal  e dava ensejo à de detenção de 15 dias a seis meses. Cenário bem diferente do de hoje, em que não mais figura como tipo penal, porém admite indenização por dano moral). A princípio era um caso de divórcio consensual. A mulher, nas palavras do cônjuge, a adúltera, abrir a mão de tudo e assinaria o que ele pedisse. Ele só assinaria se o motivo já citado estivesse em destaque. Argumentei que, em uma cidade de pequeno porte, mesmo ação de família correndo em segredo de justiça, um sobrenome conhecido chamaria a atenção e não havia razão para  deixar registrado, juramentado e carimbado os adereços com os quais a situação o ornava. Pensei no princípio da dignidade dele, porém pasmem: ele só concordou com o óbvio quando o decano do escritório falou com ele “de homem para homem”. A solução foi minha, mas o mérito do decano.

Caso você esteja assumindo missão como esta do escritório de família pequeno, terá que contemporizar até fazer a transição.

Anote tudo mentalmente, os menores detalhes, sejam qual for o tamanho do escritório. Isso inclui aspectos da própria decoração do ambiente, pois pode ser útil saber a origem de determinada escultura ou a história de certo quadro para criar empatia em alguma conversa mais informal.

Sei bem como é difícil o primeiro dia, por isso aconselho que se refugie lendo os casos do arquivo: dos mais recentes aos mais antigos. Nesta estratégia de blindagem, lendo arquivos, descobri um processo que tramitava havia muito mais tempo do que eu existia no mundo e foi possível, ao menos, liberar os esquecidos 10% do encerramento do caso. Este mergulho no passado me deu algum crédito de competência, não de honorários.

Deixei um  detalhe cruel para o final do texto de propósito: “o primeiro dia” dura muito. Não apenas 24 horas, mas até que você se encaixe e isso varia de um caso a outro. Vai depender de sua capacidade de absorver todas as nuances comportamentais, de encontrar o momento próprio para inserir sua visão de negócio e de criar sua própria carteira de clientes. Com relação ao último tópico, particularmente acho que é mais fácil criar seu nicho de atuação, pois evita comparações e permite alçar vôo.

Aos que se encaixam nesta empreitada,  agora ou no futuro, desejo boa sorte.

Aos curiosos, informo que, inquieta que sou, migrei para outros caminhos que a vida generosamente me ofereceu.

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