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Ganha o processo quem erra menos

Ganha o processo quem erra menos. Este ensinamento, creditado a Rui Cirne Lima  por um ex-aluno dele, me foi passado em conversa durante um voo, que desaguou em longa amizade e hoje cabe à perfeição no contexto em que a OAB divulga sermos mais de um milhão de advogados. Destes, acrescente-se, a grande maioria treinada nos bancos escolares para litigar.

 

Claro que errar é da natureza humana, mas o que me levou a adotar a técnica deste quase mentor, falecido há algum tempo, foi o complemento que ele deu ao ensinamento: “Ganha o processo quem erra menos e quem mostra o erro do outro.” Aliás, ele tinha esta frase emoldurada na entrada de seu enorme escritório, assim mesmo, como o acréscimo que ele fez ao texto de seu mestre.

 

Com ele aprendi que a estratégia central da advocacia é a redação da inicial que, no escritório dele, levava 15 dias para ser elaborada, com toda a equipe analisando o texto e discutindo cada minúcia. A todos cabia o papel de “advogado do diabo” para proteger o direito do cliente.  Para errar menos. Para que o oponente tivesse menos, bem menos, quase nada para apontar como incorreto, afinal, afirmava ele: “Ganha-se o processo no início, não no fim.” Como tive a sorte de ter esta informação quando estava recém-formada, passei a achar estranho que, em alguns escritórios, as iniciais fossem delegadas aos menos experientes.

 

Não bastasse esta lição estratégica, bem no começo da atividade advocatícia, eu havia perguntado no escritório da família, quando haveria um caso que estivesse exatamente (em negrito de propósito) dentro das previsões legais. A questão os levou a sonoras e bem humoradas risadas, seguidas de resposta curta, enfática e única: “Nunca!”  O definitivo nuclear da resposta me pareceu, à época, exagerado. O tempo, ah, este aliado, provou incontáveis vezes que eles estavam pra lá de certos.

 

Quando em sala de aula, sempre procurei repassar aos alunos estes detalhes que fazem a diferença no cotidiano daquele que litiga. Muito embora minha disciplina abordasse recursos constitucionais aos tribunais superiores, falava-lhes da importância vital da inicial. Entrava nesta seara ressaltando o pré-requisito do prequestionamento da matéria constitucional em todas as instâncias.

 

Há uns 4 anos tive uma feliz notícia que me fez pensar que semeei esta lição com êxito em minhas aulas, das quais as escolhas profissionais me afastaram: um ex-aluno me encontrou em um shopping e contou, de forma alegre como o fazem os vitoriosos, que ganhara recurso de ação que jamais esperara que fosse julgada em Brasília. Para ele tudo se resolveria em primeira instância.  Mesmo assim, disse o litigante vencedor, caprichara na inicial e incluíra, como se habituara desde a faculdade, por dever de cautela, a violação de princípio constitucional. Recurso provido e conhecido integralmente.

 

Cada cabeça exige uma sentença, diz o ditado popular, e cada desafio jurídico implica em uma estratégia própria.

 

É, de fato, ganha-se o processo no início e a vitória sempre será daquele que erra menos. Dentre um milhão que somos, este pode ser o diferencial do advogado vencedor.

 

 

Rosangela Tremel

Advogada; Jornalista; Administradora de empresas; Criadora do projeto e Editora-Chefe da Revista Jurídica da Unisul “De fato e de direito”- versões impressa e eletrônica; professora de Direito Público em grau de Mestre para pós graduação; Especialista em Advocacia e Dogmática Jurídica, em Marketing e em Ciências Sociais;  publicou pelos selos editoriais técnicos Atlas, Ágora, Associação Acadêmica da Faculdade de Direito de Lisboa, colaboradora de periódicos especializados, palestrante convidada.  

 

 

 

 

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