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Ética criativa com clientes é fundamental na advocacia

Esta história, assim com h mesmo, escutei em uma palestra na OAB/SC, em Florianópolis, onde ocorreram todos os fatos aqui narrados. O desfecho da história, com h, me foi contado por um dos integrantes do escritório em questão que veio a ser aluno (brilhante) em turma na qual lecionei a disciplina chamada “ações constitucionais”.

É  preciso contextualizar a história. Tudo se resumia a uma “causa ganha” e, embora tivesse tentado descobrir, não soube se isto fora garantido ao cliente. Tenho por convicção que não o foi e os fatos narrados indicam corroboração desta certeza. O aluno, na qualidade de formando e tendo vivido o episódio 10%, era dos mais elegantes e éticos (o leitor logo entenderá esta afirmação). De minha parte também nada perguntei a ele.

Dos fatos: o cliente procurara o escritório em que o aluno estagiava para ajuizar uma ação do tipo em que, para perder a causa, só perdendo prazo. E perderam.

Segundo o palestrante e referendado pelo aluno, houve reunião geral, de portas fechadas para decisão sobre a estratégia de reversão possível/cabível, vigente, então, o antigo CPC. A peça resultou de trabalho em equipe. Todos somaram esforços na elaboração. Revisada duas vezes pelos dois advogados mais antigos foi, para desespero dos decanos, ajuizada no último dia do prazo que se escoava.

Resolvido o aspecto jurídico, nova reunião definiu a questão ética ou o que, em marketing, cabe no jargão “o cliente é o negócio”. Os dois advogados decanos determinaram que cada membro da equipe, eles dois inclusive, daquela data até o julgamento do peça ajuizada, contribuiria para o que denominaram de  “fundo de ética” , com 10% de seus honorários, caso viesse a ser necessário  ressarcir o cliente no exato valor pleiteado, incluindo juros e correção monetária em vigor, considerando a possibilidade de não obter êxito no tribunal. O silêncio que sucedeu a este veredicto foi ensurdecedor, mas o erro de todos não poderia gerar danos aos cliente, sentenciaram os decanos. O cliente não perderia de jeito nenhum.

E assim foi. Mês após mês todos depositavam, na conta específica, o dolorido percentual de 10% pela ética. Não havia certeza de sucesso, nesta fase não era “ação ganha”, expressão que jamais deve o advogado usar para seu cliente. E aqui incluo um breve exemplo ilustrativo de como nunca se deve garantir a vitória, mas sempre se comprometer a dar o melhor de sua técnica para obter o resultado mais favorável: minha família tinha um inquilino residencial e o contrato determinava que ele se incumbiria de pagar a taxa de condomínio.Em um dado momento recebemos correpondência informando atraso de mais de 6 meses. Contactado o inquilino, servidor público estadual concursado e aposentado no mais alto escalão, ele esclareceu que houvera cortes em algumas vantagens salariais, mas que “o advogado, que ele e os demais  prejudicados haviam contratado, garantira que era causa ganha e coisa rápida”. Neste exato momento soube que teríamos que pagar o atrasado. Pagamos. Ele ressarciu em suaves prestações e não quis renovar o contrato. Melhor assim.

Resta dizer que o advogado  morreu ainda na vigência do contrato de locação . O inquilino faleceu alguns poucos anos depois.

Por mero acaso soube, recentemente,  no corredor do Tribunal de Justiça, que o grupo para o qual as ações do falecido nobre colega foram subestabelecidas  já perdera aquela específica em duas instâncias.

Voltando aos 10% pela ética que foram narrados na palestra, o aluno me contou que o Tribunal julgou a favor do cliente, e que, no dia seguinte ao que resgataram o valor depositado em conta para garantir o eventual ressarcimento, saíram todos juntos para festejar.

A lição ficou para sempre, garantiu o formando. O cliente é o negócio, complemento eu, reforçando a necessidade de relação ética  para logar êxito na profissão.

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