• LOGIN
  • Nenhum produto no carrinho.

Entrevista com Catarina Vasconcelos sobre gestão jurídica e mulheres na advocacia

Foto CatarinaA entrevistada desta semana é a advogada Catarina Vasconcelos, uma das maiores inspirações para a advocacia pernambucana e brasileira.

Graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda, em 1989, Catarina é uma advogada militante na área imobiliária e empresarial, com clientes no Brasil e exterior. Com a sua vasta experiência profissional, ela também dedica seu tempo também a ajudar outros advogados a desenvolverem-se profissionalmente.

Catarina desenvolveu em Pernambuco o projeto social denominado Advocacia Estrutural, com escritório modelo para novos advogados e inclusão social de advogados menos favorecidos, incluindo profissionais do interior do Estado de Pernambuco. Ela já ministrou vários cursos sobre o exercício da advocacia e é palestrante sobre gestão jurídica. Foi Conselheira da Ordem dos Advogados de Pernambuco – Subseccional  Olinda e recebeu o diploma “Mulheres que mudaram a história de Pernambuco – ano 2016”. Vale também ressaltar que ela é membro fundadora benemérita da Academia Luso-Brasileira de Ciências Jurídicas, membro da Comissão de Relações Institucionais Militares – CRIM e da Comissão da Mulher Advogada- CMA da OAB/PE. Por fim, Catarina Vasconcelos ainda é sócia da Vicente & Vasconcelos Advogados Associados.

            Confira a entrevista:

1) Você tem recebido um destaque enorme em Pernambuco auxiliando os advogados em gestão jurídica. Em sua visão, quais são os 3 grandes desafios de gestão nos escritórios de advocacia?

As dificuldades iniciam na questão cultural, principalmente quando relacionadas a profissionais que atuam no nordeste do Brasil. Destaco temas como “gestão do tempo”, “precificação de honorários advocatícios” e “fidelização de clientes”. Acrescentaria a tecnofobia e problemas sistêmicos que envolvem a autoestima.

2) Como membro benemérita da Academia Luso-Brasileira de Ciências Jurídicas, acreditamos que você tem uma grande responsabilidade na “ponte” entre Brasil e Portugal. Pode nos falar um pouquinho a importância da ALBCJ para o direito lusófono?

Historicamente existe uma aproximação natural relacionada aos dois países. Em decorrência dessa relação há uma extensão envolvendo os cursos jurídicos, considerando que um dos dois primeiros cursos foi oriundo do Decreto Imperial de Dom Pedro I, em 1827.

Contemporaneamente, a tecnologia da comunicação e da informação vem servir como instrumento para aproximar o Brasil e Portugal, assim como de outros países da língua portuguesa, para o resgate da memória histórica na perspectiva do ensino jurídico e também da cultura que envolve os referidos países.

Foi nesse sentido que a Academia Luso-Brasileira de Ciências Jurídicas surge para viabilizar esses propósitos.  Assumi a responsabilidade de coordenar o núcleo de poio aos operadores do Direito e da cidadania e o núcleo de cultura, para colocar em prática as questões que atendam a finalidade da ALBCJ.

3) Sabemos que você é membro da Comissão da Mulher Advogada da OAB-PE. De fato, temos ainda que avançar na igualdade de gênero na advocacia. Nos conte como você tem atuado em defesa da mulher advogada ao longo de sua carreira.

A mulher advogada tem necessidades essenciais e diferentes do gênero masculino. A questão está além da igualdade. É necessário que haja a perfeita compreensão sobre o vínculo existente entre a satisfação pessoal da mulher e a sua vida como operadora do Direito.

Não é incomum encontrar mulheres insatisfeitas na vida pessoal em face da sobrecarga profissional como advogada, muito embora sejam excelentes profissionais que conseguem manter o patamar financeiro perene decorrente do seu trabalho.

Pensando sobre o assunto, desenvolvi quatro pilares que considero extremamente importantes para a mulher advogada, que tecnicamente requerem a administração do tempo. São eles:

  1. Vínculo afetivo: Está relacionado à satisfação familiar, conviver em família;
  2. Vínculo social: A advogada sente prazer em estar envolvida com questões sociais em geral;
  3. Respeito profissional: Ser reconhecida em qualquer âmbito jurídico não por seu gênero e sim pela profissão exercida. Quanto mais a mulher valoriza o seu trabalho, será valorizada. Esse respeito estabelece o reconhecimento de si mesma, independente do Judiciário, tempo profissional ou área de atuação;
  4. Tempo para si mesma: As mulheres em geral têm necessidades muito diferenciadas e apenas elas podem definir essas questões e aceitar o desafio de cuidar de si mesmas. Caso contrário, a sensação de fracasso é inevitável.

4) Bom, temos muitas mulheres que participam do ID como professoras, palestrantes, clientes e alunas. Que conselho daria para as mulheres que desejam iniciar uma trajetória de sucesso na advocacia?

O exercício da advocacia de sucesso está além do processo de aquisição do conhecimento (conteúdo cognitivo). Requer atitude, enfrentamento das dificuldades com determinação, planejamento, organização e metas. Em todos os aspectos é fundamental a perseverança. Todas as necessidades da mulher podem ser supridas sem macular o exercício profissional.

5) Tem algum livro que lhe inspira no seu dia a dia?

Sim.  Trata-se de um best seller intitulado “A Quinta Disciplina – A Arte e Prática da Organização de Aprendizagem”, autoria de Peter M. Senge.

A primeira vez que li foi em 2005, quando cursei MBA em Consultoria Organizacional. Apesar da leitura durante o curso  estar direcionada para organizações empresariais, é fato que existem princípios que podem ser aplicados na vida pessoal e profissional.

A leitura se torna ainda mais agradável quando o próprio Autor dá ao leitor a opção de escolher o capítulo que pretende ler.

livroAlgumas frases extraídas do livro citado que passei a adotar como elementos de sucesso:

Na advocacia em parceria: Quando desenvolvidas em conjunto, as disciplinas de aprendizagem podem ter um impacto significativo e mensurável sobre o desempenho.

A importância da perseverança: Para cada história de sucesso existe pelo menos uma “história de fracasso”.

Organização e metas: Na melhor das hipóteses, os esforços para desenvolver capacidades de aprendizagem misturam mudanças “comportamentais” e “técnicas”.

Como mulher advogada: A liderança nasce de uma intensa convicção pessoal.

Entender questões de base como advogada, na função de gestora: Muitas vezes nós passamos a vida inteira aprendendo a desmembrar problemas complexos, a nos concentrar na parte que conhecemos melhor e a “consertar” os sintomas do problema, normalmente sem entender as causas mais profundas. (…) Parte do problema é cultural.

ID_ACADEMICO

Comentários

Comentários

12 de Janeiro de 2017

1 responses on "Entrevista com Catarina Vasconcelos sobre gestão jurídica e mulheres na advocacia"

  1. Excelentes colocações Drª Catarina. Parabéns ao Instituto Diálogo pela entrevista extremamente produtiva.

Leave a Message

Instituto Diálogo

O ID é uma instituição referência no Brasil e na América Latina para o desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais do direito.

Contato

+55 (21) 3596-2262

[email protected]

Atendimento: Seg - Sex (09h às 18h).



Endereço

BRASIL

Rua Álvaro Alvim, nº 48/408.

Centro - Rio de Janeiro - RJ

CEP: 20.031-010

EUA (Escola Internacional de Mediação)

37N Orange Ave, Suite 500.

Orlando - FL

ZIP: 32801

INSTITUTO DIALOGO BRANCATodos os Direitos Reservados © Instituto Dialogo.
top
Site produzido por T1site
X